Quando Trocar os Pneus do Carro? Como Saber se Ainda Estão em Condições de Uso

Quando Trocar os Pneus do Carro? Como Saber se Ainda Estão em Condições de Uso

Ainda dá para ver os desenhos do pneu. Então ele ainda está bom?

Muita gente associa “pneu careca” a um pneu praticamente liso. Só que o limite chega bem antes disso. Saber quando trocar os pneus não depende de um único sinal: é preciso observar o desgaste, possíveis danos e a condição geral do conjunto.

O pneu possui indicadores de desgaste que ajudam a mostrar quando a banda de rodagem chegou ao mínimo permitido. E ele também pode precisar ser substituído antes desse ponto por causa de desgaste irregular, danos ou envelhecimento.

Como identificar o limite de desgaste

Nos sulcos existem pequenas elevações chamadas TWI — Tread Wear Indicator, ou indicador de desgaste da banda de rodagem.

Na lateral do pneu costuma haver uma marca indicando onde esses pontos estão localizados, como a sigla TWI, um triângulo ou uma seta.

Quando a superfície da banda de rodagem chega ao mesmo nível do indicador, o pneu atingiu o limite de desgaste.

A legislação brasileira proíbe a circulação de veículo automotor equipado com pneu cujo desgaste da banda tenha atingido os indicadores ou cuja profundidade remanescente seja inferior a 1,6 mm.

Isso significa que você não precisa esperar o desenho praticamente desaparecer para concluir que o pneu chegou ao limite.

E se só uma parte do pneu chegou ao TWI?

Imagine que o lado externo ainda tenha sulcos visivelmente profundos, mas o lado interno já tenha chegado ao TWI.

Não se faz uma média. Se uma região da banda já atingiu o indicador, o pneu chegou ao limite de desgaste naquela área e não deve continuar em circulação nessa condição.

Além da substituição, surge outra pergunta: por que ele gastou de forma desigual?

Desgaste irregular pode estar relacionado a pressão incorreta, alinhamento, geometria da suspensão, carga, condições de uso ou outros fatores.

Pneu de carro com desgaste irregular na banda de rodagem

No artigo Quantas Libras Colocar no Pneu? Como Descobrir a Calibragem Correta do Seu Carro, mostramos como pressão baixa ou excessiva altera a forma como o pneu trabalha.

Corrigir a pressão depois não recupera a borracha que já foi gasta. Por isso, quando o desgaste é muito desigual, é importante avaliar o estado do pneu e investigar a causa. Isso também faz parte da lógica de manutenção preventiva.

Sinais que podem exigir a troca antes do limite de desgaste

O TWI é um limite objetivo de desgaste, mas não é a única razão possível para substituir um pneu.

Cortes profundos, bolhas, deformações, rachaduras relevantes ou outros sinais de dano podem exigir avaliação profissional e, dependendo do problema, substituição.

Um impacto forte contra um buraco ou meio-fio também pode causar danos que não aparecem apenas como redução da profundidade dos sulcos.

Por isso, a lógica não deve ser: “Ainda não chegou ao TWI, então está tudo bem.” O TWI responde à profundidade da banda de rodagem; ele não certifica sozinho a condição estrutural do pneu.

E a idade do pneu?

Esse é um fator menos evidente porque um pneu pode aparentar estar pouco usado e ainda assim ser antigo.

A data de fabricação aparece no próprio pneu em um grupo de quatro algarismos. Os dois primeiros indicam a semana e os dois últimos, o ano. Por exemplo, 3521 significa a 35ª semana de 2021.

Isso não significa que o pneu “vença” automaticamente numa determinada data. A Michelin recomenda inspeção anual por profissional depois de cinco anos de uso e considera, de modo geral, uma vida útil máxima de até dez anos desde a fabricação, mesmo que o pneu ainda pareça utilizável.

Esses prazos são recomendações do fabricante, não o limite legal brasileiro de desgaste. Idade deve ser tratada como mais um elemento da avaliação, não como uma validade universal.

Outros pontos importantes antes de decidir

O limite vale para carro, moto e caminhão?

A Resolução CONTRAN nº 913/2022 estabelece o limite de 1,6 mm para pneus de veículos automotores em circulação. Isso abrange automóveis, motocicletas e veículos pesados.

O fabricante do veículo ou do pneu pode recomendar substituição antes disso em determinadas aplicações. Portanto, 1,6 mm deve ser entendido como o mínimo legal de circulação, não necessariamente como a recomendação ideal para toda situação.

E o estepe?

O estepe merece atenção justamente porque costuma ser esquecido. Um estepe convencional também precisa estar em condições adequadas quando for colocado em uso. O desgaste, o TWI e o limite de 1,6 mm continuam relevantes.

Mas nele existe outro problema frequente: envelhecimento e perda de pressão sem praticamente ter rodado. É possível encontrar um estepe com a banda aparentemente nova, mas muito antigo ou com pressão insuficiente. Por isso, ele também deve entrar nas verificações periódicas.

Se o veículo utiliza um estepe temporário, mais estreito, existem restrições específicas de velocidade e utilização que devem ser observadas no próprio conjunto e no manual. Ele serve para sair da situação de emergência e permitir o reparo ou a substituição do pneu normal, não para permanecer em uso como um pneu convencional.

Rodar com pneu fora do limite pode gerar penalidade

Pneu em condição inadequada não é apenas uma questão de manutenção. Quando a situação caracteriza mau estado de conservação comprometendo a segurança, o enquadramento pode ocorrer pelo artigo 230, inciso XVIII, do Código de Trânsito Brasileiro.

A infração é grave, com multa, cinco pontos na CNH e retenção do veículo para regularização.

Isso ajuda a entender por que o TWI não é apenas uma referência técnica. Ele também se relaciona diretamente ao limite mínimo admitido para circulação.

Como fazer uma checagem prática

Uma checagem simples pode começar por algumas perguntas:

  • Alguma parte da banda já chegou ao TWI?
  • Existe alguma região muito mais gasta do que as outras?
  • Há cortes, bolhas, deformações ou rachaduras importantes?
  • O pneu sofreu recentemente algum impacto forte?
  • Qual é a data de fabricação?
  • O estepe também está calibrado e em boas condições?

Quando o pneu já atingiu o TWI, a decisão é objetiva. Quando há desgaste irregular, dano, envelhecimento ou dúvida sobre a estrutura, a resposta pode exigir avaliação profissional.

A ideia não é transformar o motorista em especialista. É evitar os dois extremos: continuar rodando com um pneu claramente fora das condições adequadas ou trocar um pneu em bom estado apenas porque alguém repetiu uma regra genérica.

O desenho ainda aparecer não significa que o pneu esteja bom. O que importa é reconhecer o limite, observar como ele está se desgastando e perceber quando alguma coisa saiu do normal.